Gosto de capturar a leveza, mesmo no que é difícil de enfrentar,
não a que se perde no vento, mas a que, ainda assim, encontra o cotidiano.
É sobre isso que escrevo: histórias de amor e dor, que, de algum modo, possam inspirar outras pessoas a se aproximarem de si mesmas.
Magda Medeiros. Escritora.
Escrevo desde a primeira bolinha torta no papel, desde as redações nas aulas de Português, desde os cadernos compartilhados com amigas na adolescência. Sempre houve um caderno à mão: diários, cadernos de terapia, páginas que me obrigavam a enfrentar e compreender o que carregava por dentro.
Escrevo por prazer. Escrevo por necessidade.
Em 2020, durante a pandemia, ainda atuava como dentista na rede pública de Florianópolis. A angústia e o medo enchiam os dias, e as palavras enchiam páginas.
Percebi que escrever não é apenas se entender, é também trocar, transbordar, criar pontes.
Busquei companhia e orientação, participei de oficinas e cursos literários, encontrei escritoras e clubes de leitura, publiquei textos, enfrentei o medo da exposição. Dessa travessia nasceu meu romance de estreia, Íris d’água, a história de uma mulher que desde pequena se compara à irmã mais velha e a régua é sempre alta demais. Ao se olhar no espelho, ela já não se vê. Até decidir mergulhar em si mesma.
Hoje, o meu segundo livro, mais uma imersão no silêncio e na inquietação, está pronto para alçar voo. “A dupla ausência” é um romance que nasceu num caderninho de conversas com a minha mãe, filha de um imigrante italiano, e que encontrou na ficção um caminho para entrelaçar migração e relações familiares.
Ítalo Calvino, em Seis propostas para o próximo milênio, traz várias reflexões, e delas a leveza é a que mais me acompanha. Não como superficialidade, mas como precisão, escolha, deslocamento do olhar. Num mundo saturado de ruído e pressa, a leveza é ver novamente, é criar sentido onde antes havia apenas peso. É essa investigação que sustenta minha escrita.
Escrevo para compreender, para compartilhar, para atravessar o mundo e construir pontes com quem lê.
E onde escrevo?
Além das postagens de textos de minha autoria nas redes sociais, publiquei o conto “A estação do oceano” na coletânea Palavras Oceânicas da Dani Brandão, o texto “Chuva que é rio” na coletânea Lendo em dias de chuva da Editora Lura, fiz o prefácio e editoração de um livro da nossa família, Contos da carochinha da Vó Lucinda. Também lançamos uma antologia do meu clube de escrita, a Antologia Alada, com três textos meus: “Codinome esperança”, “Como florescemos” e “O cotidiano mora em mim”.
O meu romance de estreia, Íris d’água, foi aprovado em uma chamada de originais da Editora Litteralux e publicado em 2023.
A dupla ausência, o meu segundo romance, tem previsão de publicação ainda em 2026.
Sigo escrevendo. Mais do que credenciais, o que me move é a convicção de que a literatura pode abrir espaços internos que nem sabíamos existir.
Íris d’água
“O tempo de se despedir. A hora de ir. O olhar ao longe. A agonia. O tempo do olhar brilhante. Do olhar úmido. Dos novos brotos. O tempo da íris d’água.”
Uma história sobre crescer à sombra de outra pessoa e o que acontece quando não é mais possível fugir de si. Em seu primeiro romance, Magda Medeiros explora o amor entre irmãs, as decisões de vida e suas consequências, na jornada de Ana Maria em direção ao encontro consigo mesma.