O conto da aia- Margaret Atwood

“Melhor nunca significa melhor pra todo mundo, diz ele. Sempre significa pior, para alguns”. Este trecho mostra bem o que me vem à cabeça quando me preparo para ler uma distopia: um texto difícil de engolir, em que uma determinada visão quer se impor, independentemente das consequências para os outros. E como uma boa escrita […]
São Bernardo- Graciliano Ramos

O que significa escrever uma história quando a pessoa que conta é justamente a pessoa menos capaz de compreendê-la? Paulo Honório, o personagem central e narrador de São Bernardo, quer contar a vida do seu jeito. Logo no início do romance ele dita as cartas: “Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do […]
O dia do curinga- Jostein Gaarder

Uma outra obra deste autor, O mundo de Sofia, permaneceu comigo por muito tempo após a leitura, tanto por trazer a filosofia de uma maneira mais próxima para quem, como eu, não possui um arcabouço teórico para compreendê-la, quanto pelas amarrações bem construídas de sua narrativa. Em O dia do curinga, me vejo novamente em […]
Se eu soubesse contar infinitos- Mayra S. Mayor

“Demorei a entender que a vida é só uma sequência de voos, deslizes, perfumes, apoteoses. Uma sequência de hojes.” Fechei este livro com a sensação de ter encontrado um daqueles cadernos esquecidos em uma gaveta, preenchidos por diferentes mãos, em épocas distintas, falando da mesma busca: a tentativa de entender a vida. Ler Se eu […]
As fronteiras de Oline- Rafael Zoehler

“É preciso correr o máximo que você pode para permanecer no mesmo lugar.” No trecho de Alice Através do Espelho, Alice corre muito rápido ao lado da Rainha Vermelha, mas percebe, confusa, que nada ao redor muda, as coisas continuam no mesmo lugar. Exausta, ela questiona a Rainha, que explica: naquele mundo, é preciso correr […]
1984- George Orwell

Ler 1984, de George Orwell, é menos uma experiência de prazer e mais um confronto. Não é um livro que acolhe, é um livro que tensiona, inquieta e, em muitos momentos, sufoca. Publicado em 1949, o romance constrói uma distopia em que o controle não se limita às ações, mas invade o pensamento, a linguagem […]
O filho de mil homens- Valter Hugo Mãe

“Para dentro do homem o homem caía.” Em vários momentos deste livro, o autor usa essa expressão para nos conduzir aos muitos ensimesmamentos e reflexões em que seus personagens se detêm. Vamos, então, sentindo as nuances de suas dores, expostas de maneira lírica, e nos enternecemos com a imensa necessidade de afeto que atravessa cada […]
Caderno proibido- Alba de Céspedes

Publicado originalmente em 1952, Caderno proibido, de Alba de Céspedes, permanece como um romance de atualidade inquietante. À primeira vista, a história é simples, Valeria Cossati, uma mulher de classe média na Roma do pós-guerra, compra impulsivamente um caderno, um objeto cuja venda era proibida naquele domingo, e passa a registrar nele seus pensamentos. O […]
Pequena coreografia do adeus- Aline Bei

Pequena coreografia do adeus é um romance que não se constrói por grandes acontecimentos, mas por fraturas. Fraturas emocionais, afetivas, familiares, aquelas que não fazem barulho, mas moldam uma vida inteira. Aline Bei cria a narrativa em uma prosa poética fragmentada, marcada por versos livres, cortes abruptos, silêncios e imagens simbólicas, não há linearidade tradicional, […]
O amante- Marguerite Duras

Há livros que parecem escritos na velocidade irregular da memória, com avanços bruscos, retornos inesperados e lacunas. O amante, de Marguerite Duras, é um desses. Publicado em 1984, quando a autora já tinha 70 anos, o romance revisita sua juventude na Indochina francesa através de fragmentos que misturam lembrança, invenção e uma dor que nunca se estabiliza […]